Burnout, quando o cansaço deixa de descansar.
Não é preguiça, não é fraqueza, não é fase. Burnout é o esgotamento silencioso de quem se sustentou tempo demais em modo de sobrevivência.

O burnout — reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional — é o resultado de uma exposição prolongada ao estresse crônico no trabalho, sem recuperação suficiente. Mas, na clínica, sua raiz costuma ir além do trabalho: envolve padrões de autoexigência, dificuldade de dizer não, e a crença de que descansar é falhar.
Sinais que merecem atenção
- Cansaço que não passa com finais de semana ou férias curtas.
- Perda de sentido no trabalho antes valorizado; sensação de estar apenas cumprindo.
- Cinismo, irritabilidade e distanciamento afetivo de colegas e clientes.
- Queda de desempenho, esquecimentos, sensação de "névoa cognitiva".
- Sintomas físicos: insônia, dores musculares, alterações gastrointestinais, imunidade baixa.
- Ansiedade nas manhãs de segunda, alívio desproporcional às sextas.
O que costuma haver por trás
Frequentemente, um esquema antigo de valor condicional: eu sou valioso pelo que entrego. Enquanto essa equação estiver ativa, qualquer descanso será vivido como ameaça — e o burnout, quando chegar, será visto como falha pessoal, não como resposta esperada do corpo.
O trabalho terapêutico
- Reconhecer os limites do próprio corpo antes que ele os imponha.
- Cuidar da raiz emocional que sustenta a autoexigência.
- Reconstruir sentido — não apenas produtividade — no trabalho.
- Muitas vezes, envolver a família, o RH ou uma pausa clínica formal.
Descansar não é abrir mão. É lembrar que o corpo tem voz — e que ignorá-lo por tempo demais tem preço.