AdolescênciaJun 2026

Autolesão em adolescentes, como reagir e o que buscar.

Descobrir que um filho se machuca provoca susto e sensação de fracasso. O que ajuda, nessa hora, é conter a própria reação e buscar apoio qualificado.

Autolesão em adolescentes, como reagir e o que buscar.

A autolesão não suicida — cortes, queimaduras, escoriações — tem se tornado, infelizmente, uma queixa cada vez mais presente em consultórios de adolescentes. Compreender o que ela significa é o primeiro passo para responder de forma que ajude, e não que afaste.

O que a autolesão comunica

Na maioria dos casos, ela não é uma tentativa de suicídio — embora o risco suicida precise sempre ser avaliado por profissional. É, mais frequentemente, uma tentativa desesperada de:

  • Regular emoções que a pessoa não sabe nomear ou tolerar.
  • Trocar uma dor emocional intolerável por uma dor física, momentaneamente mais suportável.
  • Comunicar sofrimento que não encontrou outra linguagem.
  • Sentir-se viva, presente, quando há sensação de vazio ou dissociação.

O que evitar

  • Reagir com pânico, gritos ou punição — reforça a vergonha e o segredo.
  • Fazer promessas do tipo "prometa que nunca mais". Coloca o adolescente numa posição impossível.
  • Vigiar o corpo sem cuidar da emoção. Não impede — só afasta.
  • Minimizar ("é só chamada de atenção") ou dramatizar ao ponto de invalidar.

O que ajuda

  • Sustentar a presença. Dizer, com calma: "vi, estou aqui, vamos cuidar disso juntos".
  • Buscar avaliação profissional rapidamente — psicólogo com experiência em adolescência e, quando indicado, psiquiatra.
  • Retirar do alcance imediato, sem discurso, objetos usados para se machucar.
  • Cuidar também de si — de quem cuida. Pais em pânico não conseguem sustentar o filho.

Quando é emergência

Ideação suicida ativa, ferimentos graves, uso combinado com álcool ou medicação, mudanças bruscas de comportamento acompanhadas de despedidas — procurar atendimento de urgência (CAPS, pronto-socorro, SAMU 192, CVV 188).

A autolesão pede escuta antes de julgamento. E, sempre, ajuda especializada.