Autolesão em adolescentes, como reagir e o que buscar.
Descobrir que um filho se machuca provoca susto e sensação de fracasso. O que ajuda, nessa hora, é conter a própria reação e buscar apoio qualificado.

A autolesão não suicida — cortes, queimaduras, escoriações — tem se tornado, infelizmente, uma queixa cada vez mais presente em consultórios de adolescentes. Compreender o que ela significa é o primeiro passo para responder de forma que ajude, e não que afaste.
O que a autolesão comunica
Na maioria dos casos, ela não é uma tentativa de suicídio — embora o risco suicida precise sempre ser avaliado por profissional. É, mais frequentemente, uma tentativa desesperada de:
- Regular emoções que a pessoa não sabe nomear ou tolerar.
- Trocar uma dor emocional intolerável por uma dor física, momentaneamente mais suportável.
- Comunicar sofrimento que não encontrou outra linguagem.
- Sentir-se viva, presente, quando há sensação de vazio ou dissociação.
O que evitar
- Reagir com pânico, gritos ou punição — reforça a vergonha e o segredo.
- Fazer promessas do tipo "prometa que nunca mais". Coloca o adolescente numa posição impossível.
- Vigiar o corpo sem cuidar da emoção. Não impede — só afasta.
- Minimizar ("é só chamada de atenção") ou dramatizar ao ponto de invalidar.
O que ajuda
- Sustentar a presença. Dizer, com calma: "vi, estou aqui, vamos cuidar disso juntos".
- Buscar avaliação profissional rapidamente — psicólogo com experiência em adolescência e, quando indicado, psiquiatra.
- Retirar do alcance imediato, sem discurso, objetos usados para se machucar.
- Cuidar também de si — de quem cuida. Pais em pânico não conseguem sustentar o filho.
Quando é emergência
Ideação suicida ativa, ferimentos graves, uso combinado com álcool ou medicação, mudanças bruscas de comportamento acompanhadas de despedidas — procurar atendimento de urgência (CAPS, pronto-socorro, SAMU 192, CVV 188).
A autolesão pede escuta antes de julgamento. E, sempre, ajuda especializada.